segunda-feira, 30 de março de 2026

POR UMA NOVA COMPREENSÃO DA INFÂNCIA: EDUCAÇÃO, GÊNERO E DIVERSIDADE CULTURAL A PARTIR DOS USOS DAS TECNOLOGIAS

 Este resumo busca trazer algumas considerações sobre a pesquisa de estágio pósdoutoral desenvolvida junto ao grupo de pesquisa OPE no período de maio de 2014 a fevereiro de 2016. Foi desenvolvida junto a turmas de primeiros anos de duas realidades cotidianas escolares da região da grande Florianópolis, parceiras do projeto maior, a E.E.B. São Tarcísio, localizada no munícipio de São Bonifácio/SC, região da grande Florianópolis (EBST) e Colégio Aplicação da Universidade do Estado de Santa Catarina (CA) em Florianópolis. No contexto da sociedade globalizada buscou-se atentar para a diversidade cultural, conferindo uma atenção especial às novas subjetividades infantis mediadas tecnologicamente, potencializadoras de múltiplas e inovadoras expressões culturais. A análise conferiu uma atenção especial aos momentos considerados mais propícios para a livre expressão, apontados pelas crianças como “momentos livres” no contexto dos usos das novas tecnologias. Assim, a pesquisa foi se delineando pelo interesse justamente nos olhares e nas vozes infantis a respeito de suas compreensões sobre esse espaço mediado tecnologicamente, onde emergem e são negociadas as diferenças identitárias infantis. Na compreensão da experiência da infância contemporânea, admite-se a centralidade que na atualidade as mídias e as novas tecnologias usufruem nas configurações identitárias dos grupos infantis e, sobretudo, seu papel nas normatizações das feminilidades e das masculinidades. Além disso, tem se destacado pelo movimento da globalização das culturas o modelo de vida urbano, industrial e tecnológico em detrimento das manifestações culturais locais/regionais, aliado ao fator da desigualdade socioeconômica. Tendo em vista este cenário, como estratégia metodológica a pesquisa lançou mão da observação participante, através da etnografia, e da pesquisa-intervenção a partir do uso e da problematização dos conteúdos midiáticos e da apropriação das tecnologias digitais disponíveis. A atenção esteve voltada na promoção de trocas interculturais entre as crianças a partir dos usos e das construções narrativas por meio das ferramentas tecnológicas ao alcance das crianças nas duas diferentes realidades escolares, como tablets, laptops educacionais e uma câmera filmadora. Esta estratégia, sob a forma de pesquisa-intervenção visava-se: a) suscitar inovadoras expressões audiovisuais das realidades cotidianas locais infantis; b) promover o intercâmbio de suas inventivas produções simbólicas e culturais infantis, 30 ainda que bastante povoadas e ressignificadas pelos novos contornos das subjetividades contemporâneas mediadas tecnologicamente. Assim, a pesquisa esteve diretamente articulada ao projeto maior pelo avivamento da circulação e da valorização de saberes locais e pela contestação de padrões de gênero, , geração, classe e etnia, cujas vivências, dinâmicas e memórias nos currículos escolares têm encontrado dificuldades de expressão e questionamento. Durante o processo de produção imagética e narrativa houve a valorização e o avivamento das múltiplas vivências e expressões culturais infantis, a partir das interações. Como desdobramento a análise buscou dialogar e problematizar as mais recentes políticas educacionais que atravessam a discussão curricular das mídias e tecnologia no contexto escolar, na defesa da vivência plena da infância, dos princípios democráticos, de combate à discriminação e valorização dos múltiplos saberes e linguagens nos contextos escolares. Palavras-chave: Infância. Tecnologias. Escola.


2017


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